ADOÇÃO - Debilidade da Desculpa
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ADOÇÃO - Debilidade da Desculpa

Era uma vez um país onde se ri do riso.

O país que ri da própria desgraça.

Quando se trata do assunto adoção, então, a palavra expressa em si, dificilmente traz surpresa boa, pois muito embora nem se saiba que assunto será tratado, o sorriso de desdém vem primeiro.

É o sorriso de desdém que surge. Abusado. Insosso. Poderia ser gostoso se fosse dissimulado, pois assim não indicaria duplo sentido.

O exercício de conversas objetivando adoção tem sempre a mesma variável do tipo, quem sabe poderei ajudar ou um desvio para conversar depois.

Não se tem condições por um motivo qualquer, pois a abordagem leva a pensar que adotar é manter ou alimentar uma criança, ou ainda falar sobre ela, o interesse para conversar se esvai.

São conversas que causam pavor, pois afinal, criança é criança, incomoda, faz barulho, tem que ser educada, comer e... Pior ainda, não é sua.

De conversa em conversa, foge daqui, escapa dali, corrigido um ponto de vista, alterado o lugar de uma vírgula, embora sancionada com reparos, a nova Lei de Adoção vigora com vistas a diminuir a pilha de processos, que cresce dia a dia nas instâncias judiciárias, por falta de flexibilidade.

Milhares de crianças e adolescentes, que nada tem a ver com os rituais das leis, ficam na fila de espera para serem adotados, às vezes durante anos mesmo superando burocracia necessária, que sendo inflexível, torna-se cruel e insensível.

Pouca gente pergunta se as crianças querem deixar aqueles lugares que chamam de abrigo, onde em alguns mal e mal as protegem das intempéries, dos maus pais, do estado injusto e mesmo se manter como infante em busca de uma chance de inclusão na sociedade.

O risco de nunca ser adotada em face da sua idade adiantada, era mais um tipo de medo criado pelo arrogante jargão assistencial, que se julga sábio, considerando a criança com mais de quatro anos de idade, velha, caiu para menos, deixando de existir a debilidade da desculpa de que era difícil para ela absorver ensinamentos, como impeditivo para adotar.

A lei nada mais era que palavras apresentando entre si o mesmo significado, atrapalhando aqueles que pretendiam adotar alguém.

Como nem tudo pode ser ruim, o prazo de adoção foi reduzido para um ano, desde que cumpridas às exigências legais, em processo que garanta a proteção integral à criança, adolescente ou não.

Na Lei de Adoção, entre as mudanças mais importantes previstas, está a definição do conceito de família ampla, onde há empenho para permanência de menores na família original e, em caso de impossibilidade, com parentes próximos como avós, tios e primos.

Superados os rigores previstos no Código Civil brasileiro, minoradas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, visando à finalidade social para qual o ato se destina, a Lei da Adoção atende também as exigências internacionais, conforme estabelece a Convenção de Haia, prevendo também a garantia do direito à convivência familiar comunitária pelo adotado.

Sem desculpas.

25 de maio - Dia Internacional da Adoção.

Adotar? Basta querer.

Publicado originalmente no livro: ADOÇÃO - O Parto do Coração – Clube de Autores

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Nilton Salvador

Nilton Salvador

Gestor Social - Autônomo

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